Ao refletir sobre a naturalização do lugar da raça, "Lugar de negro, lugar de branco?" desvela a força da escravidão moderna. Para isso, o autor revisita o pensamento de Sartre e dos Iluministas, o surgimento da etnologia e das ciências modernas, com o objetivo de criticar certa tendência do movimento negro à procura da África ancestral, figura mítica produzida por um sistema simbólico branco e capitalista.Contestando as concepções simplificadoras do continente africano que perdem de vista justamente a sua multiplicidade cultural, o livro problematiza a exaltação de uma identidade negra estancada e não relacional, ligada às características supostamente originárias que não podem se misturar. Aponta como essa “loucura da busca por identidade hipostasiada só indica que o mundo do trabalho ruiu”.O ensaísta convoca ainda para uma ação contra o “romantismo conservador adaptável ao mercado” e seus simulacros imaginários identitários, diante do massacre e invisibilização cotidiana da população negra. Neste ousado e radical ensaio, o intelectual militante Douglas Rodriques Barros desconstrói paradigmas e apresenta novas possibilidades para o movimento negro.
Sobre o autor(a)
Barros, Douglas Rodrigues
Douglas Rodrigues Barros é um jovem escritor. Atualmente está concluindo doutorado
em filosofia. É ex-operário, experiência que talhou profundamente sua escrita e
pensamento. Para homenagear Marighella, gosta de se referir a si como "apenas um
mulato cearense", apesar de entender que "mulato" é um substantivo carregado de
adjetivação racista. Publicou em 2016 "Cartas estudantis" pela editora Multifoco e em
2017 "Os terroristas" pela editora Urutau. |