Nesta reunião de textos — mistura de memórias, ensaios, anotações e crônicas —, uma das mentes mais brilhantes de sua geração entremeia literatura, poesia, filosofia e política para refletir sobre si mesmo, mas também sobre as transformações do mundo ao seu redor. Entre fevereiro de 2014 e maio de 2017, Victor Heringer assinou setenta textos para o site da Revista Pessoa. Na coluna “Milímetros”, o escritor registrou um pouco de tudo: o cotidiano, as referências literárias, a infância no Rio de Janeiro, a mudança para São Paulo, as novas e as velhas amizades, os sebos, as viagens, a política, o noticiário e um Brasil em franca ebulição. Vida desinteressante traz uma prosa situada entre memórias, ensaios, anotações e crônicas — ou anticrônicas, como aponta Carlos Henrique Schroeder, que assina a organização e a apresentação deste volume. São pensamentos luminosos de um escritor inquieto, que absorvia, a quente, as transformações de um mundo trepidante e de um país às vésperas do colapso.As reflexões oscilam entre a ironia mordaz e a ternura funda, sem nunca deixar de lado o estilo irresistível, perspicaz e de rara sensibilidade, que remete a Machado de Assis, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Lydia Davis, Carlos Drummond de Andrade e Hilda Hilst.
Sobre o autor(a)
Heringer, Victor
VICTOR HERINGER nasceu no Rio de Janeiro, em 1988. Prosador, poeta e ensaísta, publicou Automatógrafo (7 Letras, 2011) e O amor dos homens avulsos (Companhia das Letras, 2016), entre outros. Glória (7 Letras, 2012) ganhou o segundo lugar do Prêmio Jabuti na categoria romance. Faleceu em 2018. |